quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Interrogações



Ao comentar um livro sobre o teatro contemporâneo, o antigo diretor, já aposentado, Gerald Thomas, prosseguiu em sua cantilena autorreferente, segundo a qual o teatro está morto ou sobrevive se autocopiando de maneira nauseante. Gostamos dessa consciência crítica ou autocrítica mas, para o espectador de teatro, cabe o espetáculo de pesquisa de linguagem, mas também aquele que, fundado em um texto importante, sirva apenas de veículo para a sua locução adequada. Afinal, conforme disse o extinto diretor, o teatro é uma arte para poucos e, se tem sua contribuição na mudança das referência culturais e nas decisões políticas individuais e coletivas, ela pode vir das mais variadas formas, à parte os empreendimentos meramente comerciais que nada tem a oferecer ao teatro como arte, e apenas repetem ao público conservador aquilo que ele quer e está preparado para ouvir e ver.


Depois do preâmbulo, a razão: a representação, por 6 horas consecutivas, da peça de Peter Weiss, O INTERROGATÓRIO, dirigida por Eduardo Wotzik, nada além da transposição do menos célebre Julgamento de Frankfurt (comparado com o de Nurenberg), ocorrido em 1965, que se ocupou de figuras menores mas atuantes no campo de concentração de Auschwitz, de triste e global memória.

Temos um juiz no centro do palco atrás de sua mesa; à sua direita, outra mesa com sua cadeira, ocupadas sequencialmente por testemunhas de acusação; pelo palco, circulam o advogado de defesa, o promotor e funcionários da Justiça; na própria platéia, nas primeiras fileiras da esquerda e direita, acusados e testemunhas de acusação (sobreviventes do campo de concentração).

A rigor, não é um espetáculo teatral, mas uma transposição, para o palco, das sessões de julgamento, onde o espectador ouve os agentes envolvidos a debater responsabilidades e conivências dos envolvidos. Relatam-se fatos - para uns, para outros (os acusados, é claro) injúrias ou interpretações errôneas. A defesa dos acusados é padronizada: nada viram, de nada sabiam ou, se estiveram um dia no pátio de execuções ou diante dos fornos crematórios, foi apenas uma única vez e porque cumpriam ordens. Cumprir ordens: alguém pode ser culpado por isso? Sim, eram ordens horrendas, mas poderíamos realmente questionar as razões de Estado? As testemunhas, coincidentemente, só o foram porque um dia estiveram diante dos fatos mas, na maioria das vezes, demorou a reconhecer o que realmente era o campo de Auschwitz. A fome e a fraqueza decorrentes, mais as contínuas torturas, impediram qualquer ação de resistência.

Evidentemente, os atores estão em um palco representando seus papéis. É teatro, mas decupado dos maneirismos da arte. O realismo tende ao absoluto, restando claro as espectador que, como o julgamento não é real, sobrevive o jogo teatral, mas como exposição das razões e desrazões que constituíram um dos pontos culminantes da barbárie humana, não somente contra judeus, mas também contra comunistas, homossexuais, ciganos, poloneses, russos... Novamente vemos o Estado Nazista como exemplar em sua organização detalhada com objetivos genocidas. Disso resulta o comprometimento frio do cidadão alemão com um programa bem articulado e de execução factível, além de urgente e necessária. Teatro também pode nos por diante das matérias do dia e das de sempre; pode ser experimental, mas pode restringir-se ao realismo possível. Será sempre teatro.

De O INTERROGATÓRIO, que acompanhamos por todas as 6 horas sem cansaço e quedas de interesse, ficam inúmeras interrogações, mas vale um depoimento de um dos testemunhos, segundo o qual o fato de que de um lado estavam alguns cidadãos despojados de seus direitos e de outro aqueles que representavam a legitimidade e legalidade dos direitos enquanto atribuídos pelo Estado Nazista, não passou de fatalidade, pois os papéis seriam intercambiáveis. Somos todos seres humanos, e nenhum de nós está isento de ser um dia vítima, no outro algoz: as condições de produção da barbárie persistem e integram a todos em seu caldo cultural de racismo, xenofobia, homofobia, machismo, feminismo e todos os demais ismos devotados, sobretudo, ao poder, e este à imposição de princípios contra os quais apenas os degenerados lutam, segundo seu próprio ponto de vista, que pode ser o dos nazistas, dos judeus, dos homens, das mulheres, homossexuais, negros, comunistas, liberais, religiosos, e por aí vamos, lista infinita. Ou seja, os inocentes não são personagens históricos e, como tais, não pisam no palco (ou na platéia) do teatro.
 
 
 
Escrito por
RACHEL NUNES

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Entrevista com o diretor Eduardo Wotzik

A entrevista que o diretor Eduardo Wotzik concedeu ao site Central 111, assim como algumas cenas de O INTERROGATÓRIO, podem ser vistas através do link

http://www.central111.com/foco.html

sábado, 20 de março de 2010

Nova temporada de O INTERROGATÓRIO

Com direção de Eduardo Wotzik, O INTERROGATÓRIO volta à cena para uma curta temporada, de 26 de março a 18 de abril. O público carioca vai poder acompanhar e observar o espetáculo a partir das 18hs até a meia-noite, sempre às sextas, sábados e domingos, no Teatro da Casa de Cultura Laura Alvim - Ipanema - Rio de Janeiro.
Serão doze noites de resistência. De denúncia. De amor ao teatro, à arte, à ética, à vida. Doze encontros.
Quarenta atores relatam os últimos dias do Julgamento de Frankfurt. Setenta e duas novas horas de reflexão sobre os horrores aos quais somos passíveis. Tudo isso abrigado numa Casa de Cultura. Tudo isso sob o olhar atento de Laura Alvim. 
Um novo formato de peça, que dá ao espectador a liberdade de poder entrar, assistir, sair e voltar quando quiser.
Venha e traga sua família!

terça-feira, 16 de março de 2010

Irena Sendler morreu... sabes quem era?

Irena Sendler

Uma senhora de 98 anos chamada Irena acabou de falecer.

Durante a 2ª Guerra Mundial, Irena conseguiu uma autorização para trabalhar no Gueto de Varsóvia, como especialista de canalizações.

Mas os seus planos iam mais além... Sabia quais eram os planos dos nazis relativamente aos judeus (sendo alemã!)

Irena trazia meninos escondidos no fundo da sua caixa de ferramentas e levava um saco de sarapilheira, na parte de trás da sua camioneta (para crianças de maior tamanho). Também levava na parte de trás da camioneta, um cão a quem ensinara a ladrar aos soldados nazis quando entrava e saia do Gueto.
Claro que os soldados não queriam nada com o cão e o ladrar deste encobriria qualquer ruido que os meninos pudessem fazer.
Enquanto conseguiu manter este trabalho, conseguiu retirar e salvar cerca de 2500 crianças.
Por fim os nazis apanharam-na e partiram-lhe ambas as pernas e os braços e prenderam-na brutalmente.

Irena mantinha um registro com o nome de todas as crianças que conseguiu retirar do Gueto, que guardava num frasco de vidro enterrado debaixo de uma arvore no seu jardim.
Depois de terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido e reunir a familia. A maioria tinha sido levada para as camaras de gás. Para aqueles que tinham perdido os pais ajudou a encontrar casas de acolhimento ou pais adotivos.
No ano passado foi proposta para receber o Prêmio Nobel da Paz... mas não foi selecionada. Quem o recebeu foi Al Gore por uns diapositivos sobre o Aquecimento Global

Não permitamos que alguma vez, esta Senhora seja esquecida!!
















E-mail enviado por Noni Levinson.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Placa roubada retorna ao local de origem

A placa original, com a inscrição "Arbeit macht frei" (O trabalho liberta), roubada do portão de entrada do antigo campo de concentração Auschwitz I em dezembro de 2009, retornou hoje ao Memorial de Auschwitz. O trabalho de restauração, que será realizado no laboratório do museu, durará alguns meses. De acordo com a chefe do Departamento de Preservação, Jolanta Banaś Maciaszczyk, o trabalho de restauração com certeza será bem sucedido.

Dr. Piotr M.A. Cywiński, Diretor do Museu de Auschwitz e Jolanta Banaś Maciaszczyk, chefe do Departamento de Preservação. Foto: Paweł Sawicki
© Auschwitz-Birkenau State Museum

Fonte: Perfil do Museu de Auschwitz no Facebook

domingo, 17 de janeiro de 2010

Fragmentos de História - Parte 4

No dia 17 de janeiro de 1945, 67.012 prisioneiros e prisioneiras do complexo de Auschwitz se apresentaram para a última chamada do turno da noite. A evacuação do campo estava prestes a começar. No mesmo dia, o médico Josef Mengele (foto) tratou de liquidar com sua base de experimentos médicos em Birkenau, levando consigo todas as provas de suas experiências com gêmeos, anões e pessoas incapacitadas. A queima de documentos continuou, incluindo o arquivo do hospital do campo principal.


Dr. Josef Mengele



Fonte: Perfil do Museu de Auschwitz no Facebook
Tradução: Thiago Magalhães